Recentemente o filósofo Luiz Felipe Pondé criou um novo canal no youtube, cujo o nome é “Democracia na teia”. O projeto que inicialmente seria um canal para realizar entrevistas e debates com as principais lideranças políticas do país parecia até interessante, é importante que no atual cenário político brasileiro o debate de ideias se mantenha vivo, porém os clássicos erros que liberais e conservadores costumam cometer já começaram a aparecer.

Hoje, dia 5 de maio de 2019, o convidado da vez foi o ex-candidato à presidência da república pelo PSOL e líder do MTST (movimento que invade e destrói propriedade alheia) Guilherme Boulos, para um diálogo sobre democracia, liberalismo e sobre o papel da esquerda na contemporaneidade. Muitos podem perguntar, mas qual é o problema disso, não seria bom fomentarmos o diálogo entre pessoas de diferentes ideologias? E é aí onde mora o conflito entre a ideologia e a política real. De fato, não há problemas em debater com pessoas de pensamentos diferentes, a grande questão é como se debate, com quem você debate e onde você debate.

Antes de mais nada gostaria de deixar claro que gosto do Pondé, acompanho seu trabalho há bastante tempo e até mesmo já o defendi aqui no site quando foi injustamente atacado. Mas é necessário evidenciar seus erros e mostrar o quão prejudicial a postura ideológica em questão pode ser para o movimento liberal.

Voltando ao tema, o grande problema nessa idealização do “diálogo entre os diferentes” é partir da falsa premissa de que o outro lado quer dialogar ou é uma pessoa intelectualmente honesta para tal, e é aí onde está a falha da maior parte dos liberais, ignorar o estudo da Guerra Política e da realpolitik como um todo. O Guilherme Boulos é uma pessoa que devido a todo o seu histórico, nós sabemos que não só não é aberto ao diálogo, como é uma pessoa que viola direitos alheios (mais especificamente o de propriedade) e é inimigo declarado das liberdades individuais, como podemos ver nas ocasiões em que ele defendeu abertamente a ditadura cubana e a ditadura venezuelana, regimes totalitários que praticam o extermínio sistemático da sua própria população. Tendo isso em mente, qual seria a maneira adequada de debater/líder com o Boulos? Primeiramente, conferir se há de fato a necessidade da realização desse debate, há debates que simplesmente não precisam ser feitos, é necessário analisar se haverá algum retorno para você em discutir com um invasor de propriedades. Caso não haja plateia para ser convencida, não faz sentido o desperdício de tempo. Agora, e se tivermos as condições favoráveis para que tal debate ocorra, como proceder?

É necessário ter em mente que em um debate político, ao contrário do debate intelectual (onde os 2 lados visam chegar a verdade, independente da ideologia, o que não é o caso do Boulos), o seu principal objetivo deve ser sempre convencer a plateia ao seu redor (não o seu adversário) e é aí onde entra a Guerra Política. O estrategista e escritor americano David Horowitz (um dos fundadores da New Left e hoje ativista conservador) em sua obra “A arte da Guerra Política” nos ensina que na Guerra Política o agressor (não confunda agressividade com ser ofensivo ou radical, usamos aqui agressividade como sinônimo de ser incisivo) sempre tende a prevalecer, sendo o “vencedor” aquele que consegue persuadir a maior parte da plateia e a forma para conseguir isso é sendo incisivo e colocando seu oponente sempre contra a parede, mostrando sempre para a plateia o quão inescrupuloso ele é e o quão abjetas são as ideias que o mesmo defende (convenhamos, no caso do Boulos não é muito difícil demonstrar isso), lembrando sempre de se apresentar como o moderado enquanto seu oponente é taxado de radical. Aquele que se porta como bom moço ou tenta a todo custo dialogar pacificamente tende a ser pisoteado por aquele que faz uso da agressividade como método. Lembrando que esse método é um método que sempre foi utilizado em toda a história da política, defendido por estrategistas como Sun Tzu, Maquiavel e Saul Alinsky e usado até os dias de hoje na política (Ver as eleições americanas de 2016).


David Horowitz


Mas qual foi a postura do Pondé e quais os erros dele? Pois bem, o primeiro erro dele foi ceder um espaço em seu próprio canal para o Boulos, onde ele estaria dando um espaço particular para um representante da nanica esquerda psolista sendo que o PSOL jamais daria um espaço para o Pondé apresentar suas ideias. Esse erro poderia ter sido tolerado, caso o Pondé mantivesse uma postura incisiva e soubesse contestar tudo aquilo que o psolista apresentou, mas é aí que entra o segundo erro, o Pondé não só deu total espaço de fala ao líder do MTST, como também manteve a famosa postura do bom moço, uma postura que liberais progressistas (algo que o Pondé não é) costumam ter com a esquerda (nunca com a direita) e sempre com o intuito de mostrar que não é um “extremista de direita”, um “radical” ou um “preconceituoso”, mostrar que é diferente dos outros liberais (que são constantemente atacados por esses progressistas) achando que conseguirá de alguma forma converter o seu oponente esquerdista ou receber em troca algum tipo de autocrítica, mas como sabemos ela nunca vem. O Pondé chegou a dizer que o Bolsonaro representa uma direita violenta, porém, minutos depois comentou sobre a existência da esquerda violenta e declarou que o Boulos não faz parte da mesma (Boulos mais moderado que Bolsonaro??), como foi que o Boulos respondeu? Ele simplesmente defendeu as revoluções comunistas do século XX, falou da importância dos regimes socialistas que tivemos, atacou duramente a “onda extremista de direita” que vigora no nosso país e não apresentou a tão aguardada autocrítica. E quanto ao Pondé, qual resultado positivo ele teve? Absolutamente nenhum, ele deu espaço para um opositor da liberdade, foi extremamente cordial esperando converter seu adversário ou que o mesmo fizesse uma autocrítica, mas na verdade recebeu um verdadeiro show de autoritarismo e serviu de escada (se voluntariou para ser escada seria o termo correto) para as ideias do mesmo, quando a postura que o Pondé deveria ter tido era justamente contestar as ideias do psolista e colocar na parede o seu adversário, mostrando para o público o quão deplorável ele é.

 

 

Muitos podem afirmar: “Mas o Pondé não teve a postura correta ao demonstrar que é superior ao seu oponente, chegando ao ponto de fazer o certo sem esperar nada em troca, sabendo que o seu oponente jamais faria isso? ”
A resposta é bem simples: Não

Uma coisa que liberais e libertários precisam entender imediatamente é que na Guerra Política o que importa não é a sua ideologia, mas sim o método utilizado. Na política real o seu objetivo é fazer com que suas ideias sejam aceitas e possam um dia ser colocadas em prática, não é um espaço para ideologismos, tendo isso em mente, não é sendo bom moço que sua ideia será aceita, mas sim usando o método adequado para convencer a plateia, fazendo assim com que seus princípios saiam do campo das ideias e possam ser respeitados pela sociedade. Eu tentei explicar isso em um hangout há uns meses atrás, onde respondia os devaneios do Fhoer (um youtuber analfabeto), mas como esperado, diante da sua incapacidade de compreender a política, o mesmo seguiu sem entender.

Um exemplo bem simples do conflito “ideologia vs método” é a guerra real. Todos nós sabemos que matar um inocente é errado, mas se você está em uma guerra e um oponente aparece na sua frente, por mais que matar seja errado e que seu oponente ainda não tenha feito nada, você deve atirar nele antes que ele possa apresentar qualquer reação, caso contrário você corre o risco do seu adversário sacar a arma e te matar. Na política a mesma coisa acontece, quando você não joga seu oponente na parede e o apresenta como aquilo que há de pior na terra, o seu oponente faz isso com você e a esquerda sempre fez isso muito bem (tanto é que conseguiram se manter no poder por bastante tempo). Isso é algo que o ativista americano Bem Shapiro nos explica muito bem na sua aula “10 regras para debater com a esquerda”, onde logo na primeira regra ele explica que em um debate com plateia a primeira coisa que você deve fazer é sempre bater primeiro, empurrando seu adversário contra a plateia, pois no debate aquele que bate primeiro sempre tende a prevalecer e caso você não faça isso, o seu oponente fará (algo similar ao que o Horowitz ensina). O Bem Shapiro exemplifica isso com a eleição americana de 2012, onde o Mitt Romney adotou a postura do bom moço, deixando claro que o Barack Obama era uma ótima pessoa, porém, incompetente, enquanto o Obama o tratou como o diabo na terra. Como esperado a esquerda venceu essa eleição e só pode ser retirada quando a direita com o Trump soube fazer uso da agressividade como método político (e que fique claro, não apoio o Trump, minha análise não é ideológica).

 

O Pondé no final não conseguiu nenhum resultado positivo para si ou para os liberais, no máximo beneficiou seu oponente e deu total espaço de fala para um inimigo das ideias de liberdade. Será que a postura do bom moço realmente foi positiva? Pelo visto não, mas poderíamos ter um resultado bem diferente e o público que assistiu poderia ter tido uma maior adesão a ideias liberais caso o Pondé soubesse controlar o ritmo do debate e mantivesse uma postura incisiva, contestando todas as falácias apresentadas pelo Boulos e o apresentando como aquilo que há de pior para a plateia.

Então para os liberais e libertários fica o seguinte ensinamento: na política real deixem o bom-mocismo de lado e ignorem os dogmas e ideologias, utilizem os métodos necessários para fazer com que sua ideia seja transmitida e desqualifiquem (tanto a pessoa quanto as ideias, o que no caso do Boulos é bem fácil de fazer) o seu adversário ainda nos primeiros minutos.



Texto original VOXbrasilis