Anarquia à brasileira

Eu escrevo que temos no Brasil um sistema anárquico, caracterizado por um aparato coercitivo multifacetado onde várias facções lutam entre si para dominá-lo, podendo assim pilhar e dividir o butim impunemente.

Eu escrevo dizendo que ali ninguém se preocupa em proteger a livre iniciativa, defender a propriedade privada, promover o estado de direito, constituindo instituições e leis republicanas para resguardar o livre mercado.

Eu escrevo tudo isso e tem gente que diz que eu estou propondo a anarquia. Não! Eu estou propondo que se abra os olhos para a realidade! Nós estamos muito mais próximos da Somália do que de Hong Kong.

Leia também:  A decadência do keynesianismo e a ascensão das ideias liberais no Brasil

Aqui, idolatramos e dependemos tanto do estado que até a anarquia é institucionalizada, o que faz as pessoas acharem que o que funciona é o estado de direito. Bem, lamento dizer, não é!

O que temos talvez seja mesmo essa aberração que alguns chamam de “estado democrático de direito”, uma insolúvel contradição nos termos.

Aqui, a democracia é cleptocrática, a gangue majoritária suga a minoria vitimada num dia e, noutro, ao se desmobilizar enfastiada, é sugada por outra gangue ainda maior que irá pilhá-la até que, num moto-contínuo ela também virá a ser vítima da pilhagem. Evadir-se da realidade é o pior dos vícios.

Leia também:  Série heróis da liberdade: Thomas Paine

Quem não enxerga que a anarquia é o sistema existente, subjacente, vai trabalhar para que ele seja perene.

Desevada-se, desiluda-se, desemburre-se!

Se o povo assiste sem saber o que se passa, pode deixar que eu conto.

Não temos governo, não temos estado de direito, não temos livre iniciativa, não temos propriedade privada, não temos livre mercado, há várias gangues lutando umas com as outras para te pilharem à noite e parecerem inocentes de dia.

Leia também:  O matadouro de ovelhas e o acesso às armas

Texto original Instituto liberal