Por: Alison Henrique Machado

 

No dia de ontem, 29 de agosto de 2018, foi aniversário da emancipação política da Comarca de Curitiba, conforme a Lei imperial nº 704 – de 29 de agosto de 1853, cujo território abrangia o atual Paraná e o planalto Catarinense. Nós, tradicionalistas dos Campos Curitibanos, reconhecemos a importância dos centros tradicionalistas — os CTG’s — entretanto, nossas divergências são gritantes pois o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) “patenteou” o campeirismo, a identidade campeira. O berço desta cultura — biriva e gaúcha — são os Campos Curitibanos, por fatos vastamente comprovados.

Não faz sentido nenhum, por exemplo, os CTG’s do Paraná serem tão condescendentes à “patente” riograndense ao ponto de associar chimarrão aos pampas, de realizar Semana Farroupilha — que é exclusividade do Rio Grande do Sul e do litoral Catarinense — mas nunca divulgar um rodapé sobre a Guerra do Contestado… enfim, não faz sentido colorir nossa história e nossa tradição com as cores e a bandeira sul-riograndense. O mesmo não acontece no Rio Grande. Eles (riograndenses) não enfeitam seu tradicionalismo com as cores e a bandeira paranaense, mesmo sendo o Paraná o mantenedor da cultura gaúcha como, por exemplo, responsável por quase 90% da produção nacional de erva-mate (IBGE, 2016).

No último dia 27 (agosto) faleceu o ícone riograndense Paixão Côrtes (que Deus o tenha). Para reforçar o que foi dito, Paixão Côrtes é ícone do Rio Grande — e sempre será —, mas não do Paraná, nem do tradicionalismo gaucho argentino. Digo isto porque não faz sentido o tradicionalismo paranaense ficar de luto por este honroso ícone do Rio Grande, mas sequer comemorar a emancipação política da Comarca de Curitiba que só foi alavancada pela economia da erva-mate chimarrão, pelos barões e viscondes. Vale ressaltar que Curitiba, vulgo Paraná, é o único estado que teve um ciclo econômico da erva-mate. O único que teve uma aristocracia do mate. O Barão do Serro Azul é o maior produtor e exportador de erva-mate do mundo. Os palacetes dos barões de erva-mate estão esperando vocês, tradicionalistas, para uma viagem no tempo, abandonados secularmente em pleno centro da maior cidade do sul — Curitiba, a capital do Brasil Meridional.

Mas para ser imparcial, decidi pesquisar, no dia de hoje (30), os portais (site, blog, facebook, etc) do MTG-PR e dos CTG’s das cinco maiores cidades paranaenses: Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel.

 

MTG-PR

Em seu site oficial consta uma nota oficial do último dia 27 (agosto) em homenagem ao falecimento do ícone riograndense Paixão Côrtes. Mas nenhum “rodapé” sobre a emancipação política da Comarca de Curitiba. E, para piorar, assim consta o 23º princípio de seu estatuto (Art.º 4):

“Comemorar e respeitar as datas efemérides e vultos nacionais, o DIA 20 DE SETEMBRO, como data máxima do Rio Grande do Sul e particularmente, o DIA 19 DE DEZEMBRO, data de emancipação política do Paraná”

Bom, esta data 19 de dezembro é inverídica, conforme já refutada no artigo de ontem Lei imperial nº – 704 de 29 de agosto de 1853.

 

CURITIBA

Desta cidade pesquisei dois CTG’s. O primeiro, cujo nome “CTG 20 de Setembro”, já reforça a presente assertiva, não publicou nenhuma nota em seu site oficial. Do CTG Querência Santa Mônica — que parece estar em processo de reformulação filosófica, inclusive com seu Documentário Erva Mate – Os Moniquenses publicado neste site — não encontrei site oficial. Todavia, ambos os CTG’s homenagearam o ícone riograndense Paixão Côrtes, no dia de seu falecimento, em suas respectivas fanpage no facebook, mas não divulgaram sequer um “rodapé” em comemoração do aniversário emancipatório da Comarca de Curitiba.

 

 

LONDRINA

Não encontrei nenhum portal do CTG Rincão Sulino — nem site, nem mídia social.

 

 

MARINGÁ

O CTG Rincão Verde de Maringá, minha cidade natal, e na qual tenho conhecimento e já participei de algumas atividades, está com seu site desatualizado desde 2016. Porém, também em sua fanpage no facebook, no dia 27 (agosto), publicou uma homenagem ao ícone riograndense Paixão Côrtes, e nenhum “rodapé” em homenagem à emancipação política da Comarca de Curitiba.

 

 

PONTA GROSSA

Do CTG União Vila Velha, o primeiro CTG do Paraná, não encontrei site e, em sua fanpage no facebook não há publicação, nem sobre o falecimento do ícone riograndense Paixão Côrtes nem do aniversário emancipatório da Comarca de Curitiba.

 

 

CASCAVEL

O CTG Estância Colorada em sua fanpage no facebook atualizou seu perfil, no último dia 27 (agosto), com a foto do ícone riograndense Paixão Côrtes, mas também não fez questão de homenagear a Comarca de Curitiba nem no “rodapé”.

 

***

Para concluir, todos estes CTGs têm em comum a estampa da bandeira riograndense. Seguem a risca o estatuto do MTG-PR.

Um bem fariam estes tradicionalistas, para a sociedade paranaense, se regressassem para o Rio Grande — apesar que os gaúchos que migraram ao Paraná são gaúchos de tronco curitibano. Curitibanos que regressaram trazendo o orgulho riograndense em total desrespeito às suas origens!

 



Texto original Campos Curitibanos