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PEC da Reforma da Previdência: alguns comentários

PEC da Reforma da Previdência: alguns comentários

28/02/2019

PEC da Reforma da Previdência: alguns comentários Um dos temas mais discutidos no passado recente, a reforma da previdência, finalmente teve a proposta de emenda à Constituição divulgada semana passada pelo Ministério da Economia. Isso que foi apresentado ainda precisa passar pelo Congresso, por isso alguns pontos podem ser modificados, e, com isso, a economia ser menor do que a esperada (R$ 189 bilhões em quatro anos, R$ 1,165 trilhão em dez anos e R$ 4,5 trilhões em vinte anos). As tabelas e gráficos deste artigo são da apresentação da PEC, ou seja, do próprio texto da proposta, disponível no site do Ministério da Economia. Além de novas regras, tanto para o RGPS quanto para o RPPS, também há diferentes regras de transição. Para os militares das forças armadas, “será promovida a apresentação de projetos de lei em separado, promovendo ajustes fiscais em seus sistemas”. Antes de começar a falar da reforma propriamente dita, é bom lembrar dos números. O déficit da previdência total é superior aos R$ 350 bilhões, já que é preciso somar ao déficit do RGPS (setor privado) e do RPPS da União (civis e militares) o déficit de estados e municípios, que foi próximo aos R$ 100 bilhões em 2017. Isso tudo equivale a 5,5% do PIB, aproximadamente. Com isso, fica claro que esse problema fiscal precisa ser resolvido. Além do mais, a reforma também tem um caráter de tentar diminuir os privilégios. Quase metade do déficit total é referente aos mais de dois mil RPPS existentes (União, Estados e Municípios), só que são quase quatro milhões de funcionários públicos nos três níveis de governo contra mais de trinta milhões do INSS. As aposentadorias do RGPS do setor urbano por tempo de contribuição são superiores às aposentadorias por idade, sendo que os trabalhadores mais pobres não conseguem contribuir tempo suficiente para se aposentar, somente por idade. Abaixo alguns comentários sobre a PEC da “Nova Previdência”. O item 34 da PEC trata de um assunto fundamental da reforma. Pela regra atual, no RGPS, com a aposentadoria por tempo de contribuição (30 para mulheres e 35 para homens), acarreta a concessão de aposentadorias com idades médias de 55,6 anos (homens) e 52,8 anos (mulheres). Lembrando que nessas faixas etárias, a expectativa de sobrevida é de 24,2 anos (homens) e 30,9 anos (mulheres). Com a regra nova proposta, não há mais aposentadoria por tempo de contribuição. É preciso ter a idade mínima de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens, além de 20 anos de contribuição mínima. Leia também:  Greve dos caminhoneiros e a responsabilidade de Dilma Rousseff Outra questão relevante é da aposentadoria rural. No artigo “A importância da Reforma da Previdência: uma questão de matemática e não de ideologia! – Dados de 2018 Atualizados”, publicado no Instituto Liberal, há o seguinte trecho: “Dentre o RGPS, pode-se separar entre trabalhadores rurais e urbanos. O déficit dos trabalhadores urbanos corresponde a 42% do déficit do RGPS, contra 58% dos trabalhadores rurais. Isso acontece porque a arrecadação dos trabalhadores rurais é baixa (menos de R$ 10 bilhões), contra mais de R$ 120 bilhões de benefícios pagos. […]

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Sobre hinos e patriotismos

Sobre hinos e patriotismos

27/02/2019

Sobre hinos e patriotismos Por princípio, sou rigorosamente avesso a qualquer tipo de manifestação coletivista, inclusive o patriotismo, com suas indefectíveis entoações de hinos e hasteamentos de bandeiras. Não dá para esquecer que essa praga foi responsável pelas piores e mais degradantes experiências que a humanidade já vivenciou. As associações e outras formas de cooperação humana são extremamente necessárias, até mesmo para a sobrevivência da espécie. Ninguém há de negar que a fantástica evolução da humanidade está intimamente ligada aos mecanismos de associação e divisão do trabalho. Entretanto, a primazia da liberdade impõe que as adesões a qualquer grupo ou organização social devam ser incondicionalmente voluntárias, não compulsórias ou fortuitas. Devemos ser livres para escolher os nossos amigos, a empresa onde vamos trabalhar, que clube frequentar, o time de futebol pelo qual torcemos, as instituições e pessoas com as quais colaborar. Ninguém escolhe onde vai nascer. A terra natal de um indivíduo é algo tão banal quanto fortuito para ser motivo de orgulho ou devoção. É como regozijar-se por nascer alto ou baixo, preto ou branco, ter olhos castanhos ou azuis. Concordo até que alguns povos possam celebrar seus antepassados, valores e tradições, mas discordo daqueles que enxergam vínculos telúricos ou sanguíneos permanentes dos indivíduos com determinado lugar. Leia também:  E se os políticos deixassem de existir no Brasil? Não pretendo com isso, de forma alguma, desmerecer os sentimentos patrióticos de quem quer que seja, mesmo porque costumo respeitar as escolhas de cada um (desde que, claro, elas não interfiram com a minha liberdade de pensar e agir diferente). Mas é inegável que o mundo seria, no mínimo, menos belicoso se as pessoas entendessem que o fato de nascer em determinado país, não as torna, a priori, melhores ou piores do que ninguém. Ainda que o meio social exerça inegável influência no destino dos indivíduos, o que realmente importa são os atributos pessoais de cada um: energia, inteligência, autodisciplina, responsabilidade, talento, habilidade, etc. Sempre que se quis pensar a humanidade com ênfase no coletivo, os resultados foram catastróficos. Leia também:  Votou em Bolsonaro? Vamos estudar História? Texto original Instituto liberal

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Quem não se constrange em atirar no próprio povo, não se intimida com palavras

Quem não se constrange em atirar no próprio povo, não se intimida com palavras

27/02/2019

Quem não se constrange em atirar no próprio povo, não se intimida com palavras Se Maduro atacasse a Colômbia ou o Brasil certamente haveria uma intervenção militar para tirá-lo do poder. Como Maduro ataca os próprios venezuelanos, o mundo faz de conta que o povo escolheu o tirano. É óbvio que Maduro não tem legitimidade, que está apenas se aproveitando do fato da população estar desarmada, da oposição não ter força efetiva para tirá-lo do poder e da inércia da comunidade internacional que repete o que vem fazendo há décadas com as tiranias cubana, norte-coreana, entre outras. Nenhum ditador inescrupuloso na situação confortável que Maduro se encontra entrega o poder espontaneamente. Leia também:  Por que a maioria das feministas atuais se dizem anticapitalistas? Muitos venezuelanos morrerão de fome ou executados pelas milícias subordinadas ao tirano antes dele ser apeado do poder. Não será com a força dos microfones que a oposição abalará a estrutura de poder que tomou conta de Caracas desde à ascensão de Hugo Chávez. Quem não se constrange de atirar no próprio povo, não se intimida com palavras. Esses tipos só entendem a mensagem enviada por uma rajada de balas. Chávez nunca prometeu ao povo venezuelano fome, miséria, violência e caos. Ele prometeu socialismo. Ocorre que socialismo é sinônimo de fome, miséria, violência e caos e não adianta os políticos dizerem o contrário, porque acima de suas promessas, existe algo mais forte do que elas, a realidade objetiva. Infelizmente, a mente humana é tão suscetível à mentira que há os que prometem falsidades e há os que acreditam. Não importa o grau de desenvolvimento das sociedades, quando surge um sujeito suficientemente carismático e canalha para prometer o que as pessoas querem escutar, elas responderão com sua crença no improvável. Acreditar no socialismo é de uma ingenuidade só comparável a das criancinhas que acreditam em Papai Noel e coelhinho da Páscoa. Leia também:  Análise econômica do Direito e a Escola de Chicago Texto original Instituto liberal

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Comarca de Curitiba combateu farrapos e liberais-paulistas

27/02/2019

Comarca de Curitiba combateu farrapos e liberais-paulistasBaixar Texto original Campos Curitibanos

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Neurociênciencia, tomada de decisões e a responsabilidade dos CEOs em tragédias

Neurociênciencia, tomada de decisões e a responsabilidade dos CEOs em tragédias

26/02/2019

Neurociênciencia, tomada de decisões e a responsabilidade dos CEOs em tragédias Nossos sentidos e capacidades mentais são todos recursos escassos. A neurociência estuda, entre outra coisas, o funcionamento da mente. A economia é a ciência que estuda como administrar recursos escassos. A área conhecida como neuroeconomia estuda como a neurociência explica os processos neurobiológicos, subjacentes à tomada de decisões. A tomada de decisão é uma função de um grupo conhecido como funções executivas. As funções executivas estão relacionadas a circuitos neurais complexos, que têm boa parte de suas conexões na região anterior do cérebro, conhecida como lobo frontal. Logo, tomar boas decisões se relaciona fortemente, em testes neuropsicológicos, com um bom funcionamento das funções executivas. Vários estudos neuropsicológicos, demonstram que executivos do alto escalão das empresas, como os CEOs, apresentam resultados de alta performance nos testes que avaliam as funções executivas. Mas será que somente um bom funcionamento cerebral, do líder máximo de uma empresa, é capaz de garantir as melhores decisões? Um dos sistemas filosóficos mais fantásticos, o estoicismo, tinha como elemento central do seu pensamento, saber o que de fato na vida podemos mudar e o que não podemos mudar. Sobre quais acontecimentos da vida temos verdadeiro controle? Epicteto foi um dos principais pensadores estoicos e, num trecho do seu pensamento, ele divaga sobre qual seria a principal tarefa da vida: Leia também:  Resultados da pesquisa O aumento de tributação silencioso do Imposto de Renda “A principal tarefa da vida está em identificar e separar questões, de modo que eu possa dizer claramente para mim, quais são externas, fora do meu controle, e quais têm a ver com as escolhas sobre as quais eu, de fato, tenho controle. Onde, então eu devo buscar o bem e o mal? Não em externos incontroláveis, mas dentro de mim mesmo, nas escolhas que são minhas”. Entre os problemas mais comuns no funcionamento do nosso cérebro está o autoengano. O autoengano frequentemente nos leva a apontar o dedo e procurar culpados externos para nossos problemas. A neurociência nos mostra que mudar crenças é muito mais fácil que mudar comportamentos aprendidos. Nas crenças não gastamos energia agindo sobre aquilo que está sobre o nosso controle. O cérebro tende a sempre que possível poupar energia. Exemplificando esse problema: o que é mais fácil, planejarmos o início de uma dieta para a próxima semana ou começarmos agora mesmo? Levantarmos da cadeira e procurarmos emprego ou culparmos a crise econômica? Culpar o CEO por problemas graves ocorridos nas empresas ou entender que em atividades de alto risco, como na indústria da mineração, por exemplo, geralmente os acidentes ocorrem por uma cadeia de erros, que envolvem múltiplas pessoas da corporação, e não por um culpado isolado? A cadeia de erros interligados explica, outrossim, boa parte dos acidentes aéreos, e também explica erros que causam danos a pacientes no sistema de saúde do mundo inteiro. Leia também:  O bônus demográfico e a armadilha da renda média Algumas maneiras por que esses erros ocorrem são bem conhecidas pela neurociência: O efeito de ancoragem é um viés cognitivo que descreve a tendência humana para se basear, ou “ancorar” a tomada de decisão, […]

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O sucesso do socialismo no Vietnam

O sucesso do socialismo no Vietnam

26/02/2019

O sucesso do socialismo no Vietnam O sucesso do socialismo no Vietnam se deve a uma coisa: NÃO foi aplicado. Nas ruas das grandes cidades vê-se apenas capitalismo. Comércio. Milhões de pessoas comuns tentando atingir seus objetivos particulares. Milhares de empresas visando ao lucro. Publicidade por todos os lados. Grandes marcas internacionais, shoppings e bancos correlacionando-se com pequenos negócios, criando diversos níveis de renda, que criam diversos padrões de produção e de consumo, que dinamizam e fortalecem a economia como todo, distribuindo legitimamente a renda entre aqueles que trabalham. Percebe-se até um nível de anarcocapitalismo. Os vietnamitas levam tudo o que se pode imaginar (incluindo a família inteira) na garupa de suas motocicletas e oferecem diversos serviços (de pequenos restaurantes a barbearias) nas calçadas, sem qualquer regulamentação ou repressão. Enquanto a esquerda ocidental cobra sistemas estatais de transporte coletivo, os vietnamitas exigem liberdade para usarem suas motinhos, pois são elas que lhes dão mobilidade a baixo custo. O Vietnam é formalmente uma “república socialista” e, de fato, uma ditadura. Porém, os comunistas desse país tiveram um pouco de piedade com a população. Viram que se fizessem o que seus companheiros fizeram na União Soviética, na China, na Coreia, em Cuba, e no Camboja, os vietnamitas seriam levados a um sofrimento ainda maior do que o provocado pelas bombas americanas. Iniciaram, na década de 1980, um amplo programa de liberalização da economia, de reconhecimento de propriedade privada e de privatizações, o que fez com que dezenas de milhões de pessoas, antes dependentes do estado e em estado de extrema miséria, pudessem prosperar por méritos próprios. Ainda que seja um país de economia muito controlada (posição 128° no ranking de liberdade econômica, onde o Brasil está na posição 150°), o Vietnam ilustra muito bem o gráfico que mostra a correlação entre liberdade econômica e prosperidade social. Nenhum governo teria condições de oferecer aos vietnamitas o que o mercado lhes oferece hoje, principalmente o orgulho de saberem que tudo o que consomem vem do trabalho, não do estado. Num país com renda per capita anual de apenas USD 6 mil, vemos pessoas pobres bem vestidas, que se refrescam à noite com ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado, que guardam alimentos em geladeiras, que se iluminam com lâmpadas, que cruzam as cidades em motinhos e que levam nos bolsos telefones celulares tão modernos quanto os encontrados no Japão, nos Estados Unidos ou na Europa. São coisas assim – não discursos socialistas − que melhoram as vidas das pessoas. Visitei cidades pequenas e grandes. Cruzei o país de norte a sul de trem. Comi a comida deles nos restaurantes que eles frequentam. Passei dias inteiros andando nas calçadas. Só vi desenvolvimento baseado em comércio, em liberdade para viver, trabalhar e enriquecer. Leia também:  Mises e Hayek contra Keynes – segundo José Osvaldo de Meira Penna Vi pobreza em alguns lugares, mas não miséria. Vi um país inteiro trabalhando duro sem qualquer ideologia carimbada na testa. As bandeiras comunistas que pontilham a paisagem das cidades mostram-se como alegorias de um carnaval antigo. A propaganda anti-americana provoca gargalhadas quando olhamos ao redor e vemos os comerciantes preferindo dólares […]

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Por quais razões deveríamos escolher uma posição política?

Por quais razões deveríamos escolher uma posição política?

25/02/2019

Por quais razões deveríamos escolher uma posição política? Algo que ainda é muito propagado no senso comum é a falta de utilidade em ser ter um posicionamento político e ainda que, quem faz parte ou, pelo menos, se interessa por política, das duas uma: ou é um militante apaixonado, alienado de tudo que é razoável, ou está sendo beneficiado de alguma forma, direta ou indiretamente. Entretanto, há um critério fundamental que poderia justificar tanto as escolhas políticas quanto o motivo para se fazer uma escolha política. Tal critério é a capacidade de avaliação da realidade. Primeiramente vamos avaliar quais são os argumentos mais corriqueiros para não se fazer uma escolha política. O primeiro, e talvez o mais fraco, é dizer que “política não serve pra nada”,- que está geralmente na boca daquele “tiozão” que faz a piada do pavê no Natal. É notório que as principais decisões de bem-estar social, econômicas e até morais passam pelo âmbito da discussão política, uma vez que por definição dizemos que a atividade política é a ciência de governo dos povos. Então descartamos facilmente esta possível objeção. Em segundo lugar, há o seguinte argumento: “política serve apenas para privilegiar interesses pessoais ou de algum grupo determinado”. Esta possível objeção tem até um caráter verdadeiro, uma vez que os políticos se articulam em grupos para conseguir que seus interesses sejam cumpridos, entretanto isso está longe de ser um argumento poderoso contra a atividade política – e aqui será suficiente apresentar somente um argumento, em que não pretendo me demorar. Há inumeráveis grupos políticos, e cada grupo político se articula movidos por interesses diferentes, que na maioria das vezes são contrários a outros inumeráveis grupos políticos. Esse confronto de interesses é uma das razões, se não for a principal, de não haver uma hegemonia totalitária na classe política que possibilitaria a convergência para um único interesse em comum. Leia também:  Por que a resposta do governo à greve dos caminhoneiros foi muito ruim Um terceiro argumento poderia ser levantado: “os políticos são uma classe privilegiada, quem entra para a política entra somente para desfrutar destes privilégios.”. Ora, eu não vejo razão nenhuma para condenar a atividade política por essa razão; pelo contrário, ela pode fortalecer ainda mais a justificação de uma escolha política. Uma vez que somente pela atividade política os privilégios dados a esses mesmos políticos podem ser combatidos, bastando apenas a boa vontade de quem o faz. Podemos somar isso às considerações anteriores ao segundo argumento e teremos motivos suficientes para rechaçar essa possibilidade. Mas qual é a razão fundamental que justifica a escolha de uma posição política? A meu ver a principal razão é a leitura correta da realidade. O que raios isso significa? A realidade é dividida em vários aspectos; esses aspectos são determinados por aquilo que chamamos de cosmovisão, uma “visão de mundo”. A cosmovisão escolhida determinará suas opções mais fundamentais, sejam elas éticas, políticas e religiosas. Ao escolher uma posição política, que é o nosso objetivo, temos que considerar qual das posições políticas se adequa melhor à nossa “visão de mundo”, e além, qual delas faz a melhor DESCRIÇÃO da […]

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Lutar pelo certo não é “fazer o jogo dos Estados Unidos”

Lutar pelo certo não é “fazer o jogo dos Estados Unidos”

25/02/2019

Lutar pelo certo não é “fazer o jogo dos Estados Unidos” Os recentes acontecimentos de profunda tensão nas fronteiras com a Venezuela em Brasil e Colômbia diante da tentativa de deslocamento de itens para ajuda humanitária escancaram a sordidez do regime chavista. Não que haja qualquer grande novidade nisso. O verdadeiro caráter de Nicolás Maduro e do regime inaugurado por seu antecessor já era de conhecimento de toda a parcela decente da América Latina, bem como de observadores mais atentos ao redor do mundo. Só estão surpresos os demasiadamente incautos e mal informados – bem como estão “surpresos” os que fingem aturdimento para se passarem por pobres vítimas de um irresistível engodo, prontas a alegar que o socialismo foi deturpado (pela “infinitésima” vez) ou que Chávez não era tão nefasto quanto Maduro, “traidor da magnífica Revolução Bolivariana” (pff!). Também não há nenhuma novidade nos que, não obstante a realidade escancarada, se esforçam por mascará-la empregando subterfúgios retóricos cada vez mais mirabolantes – e, na mesma proporção, patéticos. Já tivemos professor de universidade federal, com doutorado, dizendo há apenas um ano que a Venezuela é “muito mais democrática” do que nós. Já tivemos artista famoso que chora pela perseguição da ditadura militar brasileira mandando mensagem carinhosa para o tirano assassino. Já tivemos presidentes da República patrocinando e sustentando a escalada ditatorial do país vizinho e saudando como “companheiros” seus infames mandatários. Essa escória foi derrotada no impeachment de 2016 e nas eleições de 2018. Não podemos nos esquecer disso jamais. Entrementes, a grande questão atual é que o legado nefasto que deixaram é real e não há mágica que possa dissipá-lo. Embora nunca possamos admitir que na mesma proporção em que os próprios venezuelanos, o Brasil tem responsabilidade na situação horrorosa da Venezuela. O Partido dos Trabalhadores, chancelado pela maioria do nosso eleitorado desde 2002 para o Executivo federal, foi culpado por sustentar a Revolução Bolivariana, apoiando-a financeiramente e diplomaticamente. Leia também:  Estado Policial na Democracia: a tecnologia como ferramenta de censura O caos venezuelano é um filhote aberrante dos monstros do Foro de São Paulo, que devoraram a dignidade da região e garantiram longa sobrevida à metástase da desgraça de que foram parteiros. Esse filhote aberrante, em tendo sido o Brasil uma das suas mães mais pródigas, hoje volta para cobrar a fatura. Nosso território, especialmente ao norte, vem sofrendo as consequências de tudo isso, e a instabilidade social na região é indiscutivelmente assunto de interesse nacional brasileiro. O tema tem tudo a ver conosco, justificando-se plenamente o envolvimento intenso do nosso Ministério das Relações Exteriores, e até de nosso vice-presidente, no assunto. Por outro lado, estão certos os que se lembram de que os mesmos monstros, em ambiente doméstico, deixaram um legado de problemas econômicos e fiscais que precisam ser resolvidos, tornando urgentes, para o futuro do Brasil, reformas essenciais e estruturais como a da Previdência para manter, sem exagero, a viabilidade do país. É evidente que isso é nossa prioridade imediata, porque uma nação, por mais que seja culpada, não tem condições de salvar o vizinho sem arrumar a própria casa. Já escrevi anteriormente admitindo a possibilidade de […]

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Seria viável um confronto contra a Venezuela?

Seria viável um confronto contra a Venezuela?

25/02/2019

Seria viável um confronto contra a Venezuela? A tensão entre o Brasil e a Venezuela causada pelo bloqueio das fronteiras entre os países pelo regime de Nicolás Maduro tem sido tema de debates acirrados nos últimos dias. Por um lado, Maduro alega que seu país não está em crise e que não necessita de “esmolas”, apesar das notícias de sua própria população dizerem o oposto. Do outro lado, a coalizão humanitária, encabeçada por Brasil, Colômbia e EUA, tenta a todo custo entrar com donativos para ajuda humanitária em território venezuelano. A pergunta que paira é, ainda que em tons de brincadeira: como seria um confronto armado entre Brasil e Venezuela? Seria viável? E qual seria o benefício, se é que há algum? Podemos fazer algumas ponderações. A primeira coisa que deveríamos questionar é a consequência desse tipo de confronto para o Brasil. Estamos em processo de reestabelecimento econômico depois de uma crise provocada por más administrações e corrupção, principalmente do setor público, o que levou o país a ser desacreditado por investidores, enfraquecendo a economia. Um conflito militar nessa altura poderia ter consequências muito negativas nessa área, considerando os gastos necessários para bancar uma empreitada desse tipo. O esforço de guerra poderia levar a economia novamente ao recesso. Um outro ponto a se considerar é a instabilidade política que causaria um confronto desse porte. Estamos vindo de um recente impedimento presidencial e, ainda mais recentemente, uma eleição muito conturbada que mexeu com os ânimos de uma parte considerável da população, o que acabou se refletindo nas escolhas do povo ao Congresso Nacional. Em tempo de consolidação política, onde se faz fundamental uma certa estabilidade, principalmente quando o executivo pretende passar uma Reforma Previdenciária, que por sinal é motivo de muitas controvérsias, não seria prudente iniciar-se uma ofensiva armada contra a Venezuela. Fora que, além da política interna, isso poderia causar problemas graves com outros países importantes que sinalizaram apoio a Maduro; exemplo claro é a China, que é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil – e que recentemente fez um convite no mínimo suspeito a parlamentares governistas. Leia também:  Comunismo existe sim, ele é real O custo humanitário de uma intervenção armada é muito alto, o que poderia causar revoltas e protestos contra tal coisa até mesmo de apoiadores do governo Bolsonaro, que poderiam ver com maus olhos a perda humana em um conflito. Justamente o que não se quer neste momento é perder apoiadores. Considerando o que foi dito, já teríamos razões suficientes para não apoiar uma intervenção militar na Venezuela. Entretanto, se tais considerações forem ignoradas ou por motivo de força maior, como um ataque venezuelano, como seria uma possível guerra contra a Venezuela? Podemos considerar algumas coisas. De acordo com o site especializado em informações militares GlobalFirePower, em comparação com a Venezuela, o Brasil possui maior contingente e um maior número de equipamentos militares, contando as três Forças. Ou seja, em quesito numérico, que ainda é bem relevante, o Brasil levaria vantagem no conflito. Outro fator importante seria a participação da Colômbia, que apesar de ter um menor contingente humano, possui mais aviões de combate e […]

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Diário de Robert Avé-Lallemant |

24/02/2019

Mate, mate e mais mate! Esse é a senha do planalto, a senha nas terras baixas, na floresta e no campo. Distritos inteiros, aliás, províncias inteiras, onde a gente desperta com o mate, madraceia o dia com o mate e com o mate adormece. As mulheres entram em trabalho de parto e passam o tempo de resguardo sorvendo o mate e o último olhar do moribundo cai certamente sobre o mate. É o mate a saudação da chegada, o símbolo da hospitalidade, o sinal da reconciliação. Tudo o que em nossa civilização se compreende como amor, amizade, estima e sacrifício, tudo o que é elevado e profundo e bom impulso da alma humana, do coração, tudo está entretecido e entrelaçado com o ato de preparar o mate, servi-lo e tomá-lo em comum. A veneração do café e o perfumado fetichismo do chá nada são, nem se quer dão uma ideia da profunda significação do mate, na América do Sul, que não se pode descrever com palavras, nem cantar, nem dizer, nem pintar, nem insculpir em mármore. Comparativamente, nada é o célebre “There be none of beauties daughters” de Byron. Sim, tivesse Moore conhecido o mate, a sua amável Peri teria reconquistado as portas do paraíso e a felicidade dos imortais com o mais belo que há, com um maravilhoso diamante, com uma gota de mate! Fonte: Robert Avé-Lallemant. Viagem pelo Paraná. 1858 Relacionado Texto original Campos Curitibanos

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